Remote ID na União Europeia
Última revisão: 2026-10-15
O que é o Remote ID? Como funciona a tecnologia: as normas, o conteúdo da transmissão e Bluetooth vs. Wi-Fi (em inglês).
Na União Europeia, o Remote ID chama-se identificação remota direta (DRI). As mesmas regras aplicam-se em todos os Estados-membros da EASA — os 27 países da UE mais a Islândia, o Liechtenstein, a Noruega e a Suíça — ao abrigo dos Regulamentos (UE) 2019/945 e 2019/947 da Comissão. Os pormenores nacionais da França, da Suíça e da Noruega têm páginas próprias.
O que significam as classes
Os drones para o mercado da UE têm uma etiqueta de classe de C0 a C6, no drone e na embalagem. Mostra que o drone cumpre os requisitos de produto da UE para essa classe: sobretudo uma massa máxima à descolagem (MTOM, carga incluída) e um conjunto de funções de segurança.
| Classe | Massa máx. à descolagem | Requisitos principais | Categoria |
|---|---|---|---|
| C0 | menos de 250 g | velocidade máx. 19 m/s, altura limitada a 120 m | aberta, A1 |
| C1 | menos de 900 g | velocidade máx. 19 m/s, limite de altura, Remote ID direto, georreconhecimento | aberta, A1 |
| C2 | menos de 4 kg | limite de altura, modo de baixa velocidade de máx. 3 m/s, Remote ID direto, georreconhecimento | aberta, A2 ou A3 |
| C3 | menos de 25 kg, menos de 3 m | limite de altura, Remote ID direto, georreconhecimento | aberta, A3 |
| C4 | menos de 25 kg | sem modos de voo automáticos além da estabilização, sem Remote ID — sobretudo aeromodelos | aberta, A3 |
| C5 | menos de 25 kg, menos de 3 m | como C3, mais modo de baixa velocidade de máx. 5 m/s e terminação do voo | específica, STS-01 |
| C6 | menos de 25 kg, menos de 3 m | velocidade máx. 50 m/s, rota programável, contenção da área de voo, terminação do voo, Remote ID direto, georreconhecimento | específica, STS-02 |
Um drone C1 também pode pesar mais de 900 g se uma colisão com a cabeça de uma pessoa transmitir menos de 80 J. Os drones sem etiqueta de classe — vendidos antes de 2024 ou de construção própria — podem continuar a voar na categoria aberta: com menos de 250 g em A1 e até 25 kg em A3.
Que drones têm de o transmitir?
Na UE, o que conta é a etiqueta de classe do drone, não um limite de peso fixo como nos EUA:
| Situação | Remote ID direto |
|---|---|
| Drones com etiqueta de classe C1, C2, C3, C5 ou C6 | Integrado pelo fabricante, tem de estar ligado |
| Classe C0 (menos de 250 g) e C4 | Não obrigatório |
| Qualquer drone a voar na categoria específica | Obrigatório |
| Drones sem etiqueta de classe (drones "legacy") na categoria aberta | Não obrigatório |
Desde 1 de janeiro de 2024, estes requisitos aplicam-se na íntegra. Como a regra segue a etiqueta de classe, alguns drones com menos de 250 g têm etiqueta C1 e também transmitem Remote ID — enquanto um drone mais antigo sem etiqueta pode não transmitir nada.
Os aeromodelos contam como drones na legislação da UE, por isso aplica-se a mesma tabela — mas, na prática, poucos emitem. C4 é a etiqueta de classe dos aeromodelos e não exige Remote ID; os modelos de construção própria e os que não têm etiqueta de classe na categoria aberta também não precisam. A maior parte do aeromodelismo pratica-se em clubes e associações com uma autorização ao abrigo do artigo 16 da autoridade aeronáutica nacional, que define as suas próprias condições. Por isso, os aeromodelos nos campos dos clubes estão normalmente isentos de Remote ID.
Fabrica drones para o mercado da UE? Para uma etiqueta de classe C1, C2, C3, C5 ou C6, um organismo notificado tem de verificar o drone, incluindo o Remote ID direto. O nosso módulo de Remote ID direto db151pcb já tem um certificado de exame UE de tipo (ATN-CER-21550-0283-2025). Funciona de forma autónoma, por isso a integração é mais rápida, e o organismo notificado ALTER Technology pode reutilizar a sua documentação de conformidade e concede um desconto — veja como funciona em bluemark.io.
O que contém a transmissão?
Cada transmissão DRI na UE contém:
- o número de registo do operador — atribuído pela autoridade aeronáutica do país onde o operador reside (por exemplo, a ANAC em Portugal ou o LBA na Alemanha), válido em todos os Estados da EASA
- o número de série do drone
- a posição e altura do drone em tempo real
- o rumo e a velocidade em relação ao solo
- a posição do piloto remoto, ou o ponto de descolagem
- um estado de emergência
É uma transmissão rádio unidirecional por Bluetooth ou Wi-Fi — sem internet, sem base de dados central. Qualquer pessoa por perto com um recetor adequado pode lê-la.
O número de registo do operador
Todos os países da EASA atribuem o número no mesmo formato, XXXxxxxxxxxxxxxx-xyz:
- as três primeiras letras são o código ISO do país que o atribui, por exemplo PRT para Portugal, DEU para a Alemanha ou FRA para França (a Noruega usa NOR, a Suíça CHE);
- seguem-se mais 13 caracteres, 16 no total. Esta parte é afixada no drone e é a que o drone transmite;
- os três caracteres depois do hífen são um código privado que só introduz no drone para ativar o Remote ID. Não são transmitidos.
Como os operadores se registam no país onde residem, o código de país numa transmissão indica onde o operador está registado, não onde o drone está a voar.
U-space: identificação em rede, em acréscimo
O U-space é o sistema europeu de gestão de tráfego de drones, estabelecido pelo Regulamento de Execução (UE) 2021/664 e aplicável desde 26 de janeiro de 2023. Os Estados-membros podem designar partes do seu espaço aéreo como espaço aéreo U-space, normalmente sobre cidades ou zonas movimentadas. Aí, todos os voos de drones têm de usar um prestador de serviços U-space (USSP) certificado, que oferece quatro serviços obrigatórios:
- identificação em rede — a identidade, a posição e a trajetória do drone são enviadas pela rede e partilhadas com outros utilizadores do espaço aéreo;
- georreconhecimento — as zonas e restrições aplicáveis;
- autorização de voo — uma autorização para cada voo, sem conflitos com outros drones;
- informação de tráfego — avisos sobre outras aeronaves nas proximidades.
A identificação em rede acresce à identificação remota direta, não a substitui: um drone obrigado a emitir continua a fazê-lo no U-space, e o DroneScout vê essa emissão como em qualquer outro lugar. Os dados de rede vão para o USSP e nenhuma app nas proximidades os pode receber — veja as perguntas frequentes. Até agora foram designados muito poucos espaços U-space, por isso a maioria dos voos de drones na UE continua a decorrer fora deles.
Certificados de piloto
Além das regras para o drone, a UE define regras para quem o pilota. A idade mínima é de 16 anos (alguns países permitem pilotos mais novos). Os certificados são emitidos pela autoridade aeronáutica nacional e reconhecidos em todos os Estados da EASA. Há três certificados — A1/A3, A2 e STS — e os seus nomes não correspondem um a um às marcações de classe. O que precisa depende da classe do drone e de onde voa:
| Marcação de classe | Categoria e subcategoria | O que o piloto precisa |
|---|---|---|
| C0, ou menos de 250 g sem marcação | aberta, A1 | Nenhuma formação; ler as instruções do fabricante |
| C1 | aberta, A1 — sem sobrevoar pessoas não envolvidas | A1/A3 |
| C2 | aberta, A2 — até 30 m de pessoas não envolvidas, 5 m em modo de baixa velocidade | A2 |
| C2 | aberta, A3 — longe de pessoas | A1/A3 |
| C3, C4, ou até 25 kg sem marcação | aberta, A3 — longe de pessoas | A1/A3 |
| C5 | específica, cenário-padrão STS-01 | Certificado STS + formação prática STS-01 |
| C6 | específica, cenário-padrão STS-02 | Certificado STS + formação prática STS-02 |
| Qualquer outro drone ou voo na categoria específica | autorização operacional | Definido pela autoridade na autorização |
- A1/A3 — a «prova de conclusão da formação online»: um curso e um exame online. Abrange os drones C1 em A1 e todos os drones permitidos em A3: C2, C3, C4 e drones de construção própria ou sem marcação até 25 kg. Em A3, mantém-se afastado de pessoas não envolvidas e a pelo menos 150 m de zonas residenciais, comerciais, industriais e recreativas. Os drones C3 e C4 não têm, portanto, um certificado próprio — basta o A1/A3, mas só podem voar em A3.
- A2 — o «certificado de competência»: A1/A3 mais uma autoformação prática e um exame teórico adicional na autoridade. Só acrescenta algo para os drones C2, que passam a poder voar mais perto de pessoas. Desde 1 de janeiro de 2024, os drones sem marcação de classe já não podem voar em A2.
- STS — o «certificado de conhecimentos teóricos» para os cenários-padrão: A1/A3 mais outro exame teórico na autoridade ou numa entidade reconhecida, válido por cinco anos. Acresce a formação prática para STS-01 ou STS-02, atestada por uma entidade reconhecida ou por um operador que declarou o cenário.
Os drones C5 e C6 pertencem à categoria específica, por isso o certificado do piloto não basta sozinho: o operador tem também de enviar uma declaração à autoridade aeronáutica nacional antes de voar. STS-01 (C5) é um voo à vista (VLOS) até 120 m sobre uma área terrestre controlada, também em zonas povoadas. STS-02 (C6) é um voo para além da linha de vista (BVLOS) até 120 m sobre uma área terrestre controlada em zonas pouco povoadas, até 1 km do piloto, ou 2 km com observadores do espaço aéreo. Os voos que não cabem em nenhum cenário-padrão — um drone mais pesado, ou sem marcação C5 ou C6 — precisam de uma autorização operacional da autoridade, com base numa avaliação de risco (SORA) ou numa avaliação de risco predefinida (PDRA). A autoridade decide então também que formação o piloto precisa.
Uma emissão Remote ID mostra o número de registo do operador, não o certificado do piloto.
Como o ver
O DroneScout recebe transmissões DRI no Android e no iPhone e mostra cada drone em direto num mapa, com os campos acima. Implementa a norma europeia ASD-STAN EN 4709-002 e a norte-americana ASTM F3411 nos quatro tipos de transmissão (Bluetooth Legacy, Bluetooth Long Range S8, Wi-Fi Beacon e Wi-Fi NaN). Os telemóveis diferem nos tipos que conseguem receber — veja nas perguntas frequentes porque é que um iPhone vê menos drones e como o DroneScout Bridge resolve isso.
Fontes oficiais
- EASA — Drones (UAS) (em inglês)
- EASA — O regulamento europeu de drones também se aplica aos aeromodelos? (em inglês)
- EASA Light — Drones explicados em linguagem simples (em inglês)
- Regulamento Delegado (UE) 2019/945 da Comissão — requisitos dos produtos, incluindo a DRI
- Regulamento de Execução (UE) 2019/947 da Comissão — regras de operação
- EASA — Requisitos de formação na categoria aberta (em inglês)
- Regulamento de Execução (UE) 2020/639 — cenários-padrão STS-01 e STS-02
- Regulamento de Execução (UE) 2021/664 — U-space
- EASA — O que é um espaço aéreo U-space? (em inglês)